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Trabalho do grupo AdP reconhecido pela IWA
02 de Dezembro de 2011
Trabalho do grupo AdP sobre Planos de Segurança da Água reconhecido pela IWA
A Águas de Portugal integra hoje um grupo de utilities que assume a liderança a nível mundial na temática dos Planos de Segurança da Água (PSA), tendo uma população servida de cerca de 5 milhões habitantes (50% da população nacional) com água produzida em condições aferidas por um PSA, através dos sistemas geridos pelas Águas do Algarve, Águas do Douro e Paiva, Águas do Noroeste e EPAL.
O reconhecimento destas competências nacionais na temática levou à recente nomeação do Professor José Vieira da Universidade do Minho (na qualidade de Responsável) e o Eng.º Rui Sancho da Águas do Algarve (na qualidade de secretário técnico) para o grupo de especialistas em Planos de Segurança da Água da IWA (WSP – Water Safety Plans Specialist Group), ambos coautores do manual para a implementação dos Planos de Segurança da Água, desenvolvido no âmbito de um Grupo de Trabalho Interno constituído na AdP para a temática dos PSA e publicado em 2011.
Também recentemente, o mesmo manual foi divulgado na 10ª edição do Simpósio de Hidráulica e Recursos Hídricos dos Países de Língua Oficial Portuguesa (10º SILUSBA), que se realizou em Porto de Galinhas, Brasil, em setembro , cujo tema de fundo do programa técnico foi a Gestão da Água num Mundo em Mudança, tendo colhido a boa recetividade de várias entidades dos países participantes no Simpósio.
Num período de grandes transformações à escala global derivadas dos efeitos combinados do crescimento da população urbana, dos impactos das alterações climáticas nos recursos hídricos, das consequências da crise financeira global, da crise energética, do aumento da degradação da qualidade da água e da destruição dos ecossistemas ribeirinhos, os desafios na gestão da água intensificam-se e tornam-se mais complexos, sendo os Planos de Segurança da Água uma abordagem emergente nesse contexto, como de resto afere a IWA dando particular relevo a esta temática.
O Manual para a Implementação dos Planos de Segurança da Água desenvolvido pela AdP visa apoiar as entidades gestoras de sistemas de abastecimento de água para consumo humano no desenvolvimento e implementação de Planos de Segurança da Água (PSA), através de uma metodologia pormenorizada de gestão de riscos.
Reforma da água permite investir 600 milhões/ano na Irlanda
31 de Janeiro de 2012
| A reforma do sector da água encontra-se em consulta pública na Irlanda. O documento propõe a criação de uma empresa estatal para assumir os investimentos no sector da água e os programas de manutenção dos 34 condados e câmaras municipais existentes. | ![]() |
A Irish Water terá a responsabilidade de investimento e prestação de serviços, com o objectivo principal de supervisionar e acelerar os investimentos significativos necessários para actualizar as redes de distribuição de água e de esgotos. Apesar de nacional, a empresa terá também um enfoque regional e local, sendo proposta uma transição gradual para garantir a continuidade do serviço.
A regulação económica do sector da água será realizada pela Comissão de Regulação de Energia, sendo que um dos principais objectivos do regulador passa por cortar os custos de forma significativa, segundo a tutela. Um método de medição será introduzido juntamente com um sistema de tarifação aplicado acima um mínimo de consumo apoiado.
Esta reforma deverá permitir um investimento da ordem de 600 milhões de euros por ano, além da criação de cerca de 2000 novos empregos a longo prazo no sector da água. Esta reviravolta no domínio das águas irlandesas visam combater o declínio do investimento no sector, que passou de 435 milhões em 2011 para 371milhões em 2012, estimando uma redução ainda mais significativa, de 296 milhões até 2014.
Crise muda opções de consumo de água
31 de Janeiro de 2012
| Contas feitas, a venda de água engarrafada sofreu uma quebra de 1,72 por cento entre Janeiro e Novembro de 2011, em relação ao período homólogo. Os valores, adiantados pela Associação Portuguesa dos Industriais de Águas Minerais Naturais e de Nascente (APIAM), mostram o fim de uma tendência de subida no sector, muito por culpa da crise. | ![]() |
Embora o metro cúbico de água da torneira saia mais vantajoso, do ponto de vista económico, do que a água engarrafada, a preferência por esta última não parecia sair abalada (segundo a tendência de crescimento de vendas até 2010, marcado por uma subida ligeira de 0,9 por cento). A contenção orçamental dos consumidores trouxe, nesse sentido, impactos ao sector.
Estas mudanças dão uma nova face à “contenda” entre água engarrafada e da torneira. Há muito que o sector de abastecimento da água em rede se queixa da falta de percepção do consumidor em relação à qualidade da água que sai da torneira. Segundo o relatório anual “Qualidade da Água para Consumo Humano 2011”, elaborado pela Entidade Reguladora e relativo a 2010, cerca de 98 por cento da água da rede pública é de boa qualidade, estando dentro dos parâmetros de análise indicados.
O paladar é, também, uma questão importante. O sabor a cloro da água da torneira, resultado do tratamento obrigatório a que é sujeito o abastecimento na rede, é um ponto negativo na luta pela preferência dos consumidores. «Ainda há tabus e estigmas associados à água da torneira, que não são fáceis de ultrapassar a curto prazo», acrescenta, sobre a questão, Nuno Campilho, administrador dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Oeiras e Amadora.
Para a Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR), esta falta de percepção dos consumidores da qualidade da água na rede portuguesa acaba por ser uma consequência de uma altura em que água da torneira não tinha qualidade. Mesmo com a passagem dos anos, e da melhoria objectiva da qualidade da água, os consumidores ainda estão condicionados por essa desconfiança histórica.
Para ultrapassar esta barreira de percepção, as entidades gestoras apostam na promoção da água da torneira. São vários os exemplos, que vão desde acções de sensibilização junto a escolas a folhetos informativos sobre as vantagens da água da torneira junto às facturas do consumidor. Para reconhecer este esforço, a ERSAR introduziu uma categoria para a sensibilização pública da água da torneira nos Prémios da Qualidade de Serviço em Águas e Resíduos 2011. O vencedor foi os SMAS Oeiras e Amadora, entidade que, entre outras apostas, aborda este tema no Clube da Água, uma associação de crianças e jovens.
Mesmo assim, a Assembleia da República mantém o veto à água da torneira. A recusa da adopção de água de rede – em vez das garrafas de plástico – foi feita por duas vezes em 2011, gerando críticas de ambientalistas e de especialistas ligados ao sector.
O chumbo das duas propostas, em Janeiro e Novembro, tem por base uma alegada «falta de garantias de higiente», argumento desmentido Jaime Melo Baptista, presidente da ERSAR, aquando da sua presença em audição junto da comissão parlamentar da especialidade. Entretanto, foi aprovado, em Novembro, a realização de um estudo que analise os custos e benefícios das várias opções de consumo de água na Assembleia da República.
WWF pede proposta ibérica para bacia do Guadiana
31 de Janeiro de 2012
A WWF defende que o planeamento da bacia hidrográfica do Guadiana deve ser feita como um todo, em Espanha e Portugal, sob pena de se colocar em risco um dos rios mais importantes da Europa.
«Os novos planos de gestão da bacia hidrográfica do rio Guadiana, as propostas de ambos os países não estão coordenadas, como demonstram os volumes de água que se atribuem aos diferentes usos e que superam a capacidade da bacia», lê-se no comunicado da WWF, que já entregou um parecer sobre a questão aos ministérios dos dois países.
A organização sublinha ainda que os objectivos ambientais fixados para os rios e zonas húmidas da bacia são «claramente insuficientes», não garantindo a conservação dos espaços protegidos da Rede Natura 2000.
«Do mesmo modo, os novos planos não definem nem integram os caudais ecológicos como uma medida prioritária a ter em conta, de acordo com as normas da DQA. Em Espanha definiram-se caudais claramente insuficientes e sobre os quais existem sérias duvidas de que venham a ser cumpridos; em Portugal apenas se fizeram aproximações de caudais mínimos usando uma metodologia inapropriada».
China compra participação na Thames Water
31 de Janeiro de 2012
| A notícia é avançada pelo jornal Finantial Times e é mais um passo da china na aquisição de activos estratégicos europeus. Depois de ter comprado 21,35 por cento da EDP e de estarem na corrida à privatização da REN, o país asiático decidiu comprar uma participação de 8,68 por cento da holding que detém a Thames Water, entidade que gere o abastecimento de água a Londres. | ![]() |
Ministra diz nova equipa da AdP tem experiência autárquica
31 de Janeiro de 2012
A ministra do Ambiente reagiu hoje à polémica em torno da escolha dos novos administradores da Águas de Portugal (AdP), divulgada terça-feira, afirmando que a experiência autárquica é positiva e ninguém deve ser excluído à partida.
Em causa estão os nomes do social-democrata Manuel Frexes, presidente da câmara de Fundão, que tem uma dívida superior a oito milhões de euros a uma subsidiária da AdP (Águas do Zêzere e Côa) e o centrista Alvaro Castello-Branco, vice-presidente da câmara do Porto.
A oposição acusou o Governo de estar a fazer nomeações políticas e apontou o conflito que opõe à câmara do Fundão à AdP, com processos a correr em tribunal, enquanto o ex-presidente da holding estatal para o setor da água e saneamento, Pedro Serra, mostrou reservas quanto à escolha de autarcas.
Passos Coelho sente-se «confortável» com nomeações na AdP
31 de Janeiro de 2012
O primeiro-ministro reagiu esta quinta-feira à polémica das nomeações, designadamente na empresa Águas de Portugal (AdP), dizendo que (ele e o Governo) se sente confortado com as escolhas.
Falando no encerramento de uma conferência em Lisboa, Pedro Passos Coelho explicou que o objetivo do Governo com as escolhas efetuadas visaram «preservar a acção do Estado». Referindo-se objetivamente ao “caso AdP”, Passos Coelho lembrou que o modelo de consolidação do setor está definido e que a AdP se confronta com dívidas superiores a 400 milhões de euros.
Quanto às nomeações conhecidas esta semana para a administração da holding estatal das águas e saneamento, o primeiro ministro disse que a escolha incidiu sobre «pessoas que conhecessem o problema (junto dos municípios) e ajudassem a resolvê-lo». As pessoas em causa «têm currículo e são prestigiadas», pelo que, «deixam o Governo confortável» rematou.
Na abordagem à questão das nomeações, a qual ocupou boa parte da sua intervenção na conferência "Made in Portugal", promovida pelo jornal Diário de Notícias, Passos Coelho sublinhou ainda que tem «sido absolutamente coerente» com as ideias e os objetivos que defendeu antes de vencer as eleições.
Neste âmbito e para reforçar o sentido de transparência nas nomeações (para empresas públicas e para os organismos de administração direta do Estado), Passos Coelho disse que o Governo «reduziu significativamente qualquer arbitrariedade nas nomeações».
Por isso, lembrou, está na calha a criação de uma «entidade independente» que será incumbida de acompanhar os concursos e de fazer as escolhas nas nomeações para os cargos de dirigentes públicos.
Investimento ambiental das empresas atinge mínimos
31 de Janeiro de 2012
| As empresas portuguesas estão a investir cada vez menos em ambiente. As evidências são dadas pela PORDATA, que apresenta estatísticas do investimento ambiental desde 2004 a 2010, ano dos dados consolidados provisórios mais recentes. Nesse ano, as empresas nacionais investiram 0,10 por cento do PIB em ambiente, num total de 164.368 milhares de euros. | ![]() |
O valor, semelhante ao alcançado em 2009, marca uma tendência de queda nos investimentos do tecido empresarial de Portugal no que diz respeito ao ambiente. Em 2004, a percentagem em relação ao PIB foi de 0,17 por cento, o que se traduziu em 253.332 milhares de euros.
A gestão de resíduos é a única área que foge à tendência de queda. Em 2010, as empresas investiram mais neste domínio ambiental do que em 2009 (25.864 milhares de euros contra 17.466, respectivamente). No geral, esta área tem ganho maior importância de orçamento, já que em 2004, a fatia de investimento foi de 11.907 milhares de euros.
Sorte diferente têm tido os domínios ambientais de gestão de águas residuais e protecção da qualidade do ar e clima. Nestas, o investimento tem decrescido, de forma geral, ao longo dos seis anos em análise.
Governo nomeia autarcas para administração do grupo ADP
31 de Janeiro de 2012
| São autarcas, pertencem aos partidos de Governo e foram chamados para a administração do grupo Águas de Portugal. Manuel Frexes, presidente da autarquia do Fundão – do PSD e Álvaro Castello-Branco, vice-presidente da câmara do Porto, do CDS-PP são os senhores que se seguem na administração do grupo. Juntam-se a Afonso Lobato Faria, que saiu da Efacec para ocupar o lugar deixado vago por Pedro Serra. |
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Manuel Fernandes Thomaz, que liderava a Águas da Região de Aveiro e Gonçalo Martins Barata, que vem do Citigroup para o cargo de administrador financeiro, também são nomes confirmados pelo Governo para a nova administração do grupo.
Na dança das cadeiras há outro nome na calha: o Público revelava ontem à noite que Orlando Borges terá sido convidado para assumir o lugar de Jaime Melo Baptista na presidência da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos. Para já não há qualquer confirmação da parte do Governo.
Privatização das águas
31 de Janeiro de 2012
«No programa do Governo, nunca está dito que haverá uma privatização das águas»
| O Grupo Águas de Portugal (AdP) esteve na lista das empresas privatizáveis, mas entretanto decidiu-se privilegiar um modelo de concessão a privados das empresas multimunicipais. O que motivou essa inversão de estratégia e que benefícios pode trazer a participação de privados no sector? |
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Não houve exactamente uma mudança de estratégia. No programa do Governo, nunca está dito que haverá uma privatização das águas. O que está dito é que haverá a possível separação da parte dos resíduos e da parte das águas e a preparação para a abertura a capitais privados. Por uma questão de simplificação de linguagem, no início, falou-se em conjunto, mas, na verdade, a ideia que foi expressa por nós à Troika [Fundo Monetário Internacional/Banco Central Europeu/União Europeia], logo em Julho, foi sempre essa: de reestruturação do sector, concentração, verticalização, resolução dos problemas dos défices tarifários e concessões a privados.
O Grupo Águas de Portugal tem um passivo de 2,9 mil milhões de euros, um défice tarifário e dívidas crescentes das autarquias, que andam na ordem dos 450 milhões de euros. Claramente, há um problema de sustentabilidade financeira do Grupo AdP. O que justifica a reestruturação do Grupo é a necessidade de dar sustentabilidade financeira ao próprio sistema das águas.
Isto implica desde logo empresas que abarcam mais áreas, porque temos um desequilíbrio litoral/interior: o interior com incapacidade de ir pagando os investimentos avultados que foram feitos ao longo dos anos, o Litoral com mais facilidade, porque tem muito mais gente. Portanto, mesmo do ponto de vista dos preços da água, estes são muito díspares.
E a estratégia para garantir esse equilíbrio de preços é a integração de sistemas?
É a integração dos sistemas, para haver equilíbrio de preços e capacidade de ir pagando os investimentos de uma forma mais equitativa e solidária do ponto de vista nacional. Isto podia-se fazer de várias maneiras. Havia, no governo anterior, a ideia de criar um Fundo de Equilíbrio Tarifário em alta.
Fizemos uma avaliação sobre essa matéria, e este fundo, no limite, iria levar a que o equilíbrio fosse feito muito à custa da Taxa de Recursos Hídricos. Isso não só não nos resolve um problema de fundo, como contraria o memorando da Troika, que tem claramente um ponto que é o de reduzir o nível de subsidiação do próprio sector.
A outra maneira é através da criação de sistemas mais alargados do ponto de vista de abarcamento do território, e com isso conseguir alguma solidariedade entre os sistemas do interior, que servem menos gente e têm preços mais caros e os sistemas do litoral.
Por outro lado, temos de caminhar para a verticalização. Esta é a razão pela qual há necessidade de fazer a reestruturação do grupo: para lhe dar sustentabilidade financeira e equilíbrio tarifário.
Passivo do grupo Águas de Portugal
02 de Dezembro de 2011
Passivo do grupo Águas de Portugal leva socialistas a questionarem Governo
Os deputados socialistas querem saber a real situação financeira do Grupo Águas de Portugal, após várias entidades e personalidades ouvidas pela Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local sobre a sustentabilidade do sector da água e do saneamento terem alertado para um possível entrave ao cumprimento das metas previstas no Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas Residuais (PEAASAR II).
Numa tentativa de saber quais as entidades credoras do Grupo Águas de Portugal e qual o montante dessas dívidas, os deputados socialistas da Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local decidiram questionar Assunção Cristas, Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território.
Os deputados perguntam ainda qual é, do actual passivo, o valor total correspondente a empréstimos contratados à banca para serem efectuados os investimentos necessários à concretização dos objectivos traçados no PEAASAR II e como pretende afinal o Governo garantir a sustentabilidade do sector público de captação, tratamento e distribuição de água para consumo humano.
Na pergunta à Ministra, o coordenador dos deputados socialistas na Comissão, Pedro Farmhouse, recorda que “a situação económica e financeira do Grupo Águas de Portugal tem servido para publicamente especular sobre a sua total privatização, ou, mais recentemente, sobre a concessão de sistemas de abastecimento de água em alta ao sector privado, sendo evidente que os devedores são na sua esmagadora maioria da administração local e central”.
Dado que um dos argumentos que o Governo tem utilizado é o da alegada insustentabilidade do Grupo, “cumpre, naturalmente, apurar a que se deve a actual situação financeira das empresas da holding estatal, nomeadamente, o montante das dívidas ao Grupo Águas de Portugal que são da responsabilidade da Administração Central do Estado, Empresas do Sector Empresarial do Estado, Institutos, Fundações, Serviços e Fundos Autónomos, devidamente discriminados por entidade e serviço, pois só com uma informação precisa sobre os devedores e os respectivos montantes se poderá decidir sobre qual a estratégia para a resolução do passivo do Grupo Águas de Portugal”, defendem os deputados socialistas.
Escassez de água cria risco alimentar, diz ONU
02 de Dezembro de 2011
A rápida expansão populacional, as alterações climáticas e a degradação dos recursos hídricos e fundiários devem tornar o mundo mais vulnerável à insegurança alimentar, com o risco de não ser possível alimentar toda a população até 2050, disse a FAO (agência da ONU para alimentação e agricultura) esta segunda-feira.
Nas próximas quatro décadas a população mundial deve saltar de 7 para 9 mil milhões de pessoas, e para alimentá-las seria preciso uma produção adicional de mil milhões de toneladas de cereais e 200 milhões de toneladas de carne por ano. A introdução da agricultura intensiva nas últimas décadas ajudou a alimentar milhões de famintos, mas muitas vezes levou à degradação da terra e dos produtos hídricos, segundo a FAO. «Esses sistemas em risco podem simplesmente não ser capazes de contribuir conforme o esperado para atender à procura humana até 2050», disse o director-geral da FAO, Jacques Diouf. «As consequências em termos de fome e pobreza são inaceitáveis. Acções paliativas precisam de ser tomadas agora.» Segundo o relatório, intitulado Estado dos Recursos Hídricos e Fundiários do Mundo para a Alimentação e a Agricultura, um quarto das terras aráveis do mundo está altamente degradada, 8 por cento está moderadamente degradada e 36 por cento ligeiramente degradada ou estável, e apenas 10 por cento está a melhorar.
A escassez de água também tem vindo a agravar, devido a problemas de salinização e poluição dos lençóis freáticos e de degradação de rios, lagos e outros ecossistemas hídricos. O uso da terra para fins industriais e urbanos também agrava o problema alimentar mundial. De acordo com a FAO, cerca de mil milhões de pessoas estão actualmente desnutridas, sendo 578 milhões na Ásia e 239 milhões na África Subsaariana. Nos países em desenvolvimento, mesmo que a produção agrícola dobre até 2050, 5 por cento da população continuaria desnutrida, ou cerca de 370 milhões. Para que a fome e a insegurança alimentar recuem, a produção de alimentos precisaria de crescer para um nível superior ao da população. Isso, acrescenta o relatório, teria de ocorrer principalmente nas áreas já utilizadas para a agricultura, com um uso mais intensivo e sustentável da terra e da água.
EPAL aposta 1,5 milhões de euros na qualidade da água
02 de Dezembro de 2011
| A EPAL – Empresa Pública de Águas Livres foi a vencedora da categoria “Qualidade da água para consumo humano” dos prémios de Qualidade de Serviço 2011 atribuídos pela Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR) e pelo jornal Água&Ambiente. Contudo, as garantias de controlo apertado da qualidade da água não saem barato. A entidade investe um orçamento anual de 1,5 milhões de euros no laboratório central. | ![]() |
Contas feitas, o controlo exemplar da água abastecida e a qualidade da mesma justificam o investimento deste laboratório, que é o maior do País no universo das entidades gestoras nacionais. Em termos de análises, os 600 mil metros cúbicos de água diariamente fornecidos representam 30 a 40 pontos de amostragem diários, num total de 40 mil análises de vários parâmetros.
«Com base no volume de água que é fornecido às entidades gestoras ou à população que temos em Lisboa, é necessário fazer um planeamento dos parâmetros que vamos analisar, distribuídos por meses e por dias», explica Maria João Benoliel, directora do laboratório da EPAL.
O planeamento tem ainda em conta que a Empresa Pública de Águas Livres abastece os consumidores na vertente em baixa, mas também distribui água em alta a 33 entidades gestoras. Só na distribuição directa ao consumidor final, são servidos 500 mil habitantes. Em termos de controlo, é preciso verificar anualmente 1500 torneiras.
Em 2010, as análises da entidade gestora tiveram um incumprimento de apenas 0,2 por cento na água abastecida em baixa. «Desses, cerca de 70 por cento foram da responsabilidade do consumidor e não da água abastecida», salienta Maria João Benoliel. A higienização das torneiras é o principal factor crítico à qualidade da água.
Ministra questionada sobre passivo da Águas de Portugal
02 de Dezembro de 2011
Os deputados socialistas pediram hoje em requerimento parlamentar informações sobre a real situação financeira do Grupo Águas de Portugal, as entidades credoras do grupo e o montante em dívida.
A questão enviada a Assunção Cristas, ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, surge depois de "várias entidades e personalidades ouvidas pela Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local sobre a sustentabilidade do sector da água e do saneamento, terem alertado para um possível entrave ao cumprimento das metas previstas no Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas Residuais (PEAASAR II)", refere comunicado hoje divulgado.
Os deputados socialistas querem agora saber "quais as entidades credoras do Grupo Águas de Portugal e qual o montante dessas dívidas", bem como qual, do atual passivo, é o valor "correspondente a empréstimos contratados à banca para serem efectuados os investimentos necessários à concretização dos objectivos traçados no PEAASAR II".
Perguntam ainda "como pretende afinal o Governo garantir a sustentabilidade do sector público de captação, tratamento e distribuição de água para consumo humano".
No documento dirigido a Assunção Cristas, o coordenador dos deputados socialistas na Comissão, Pedro Farmhouse, recorda que "a situação económica e financeira do Grupo Águas de Portugal tem servido para publicamente especular sobre a sua total privatização, ou, mais recentemente, sobre a concessão de sistemas de abastecimento de água em alta ao sector privado, sendo evidente que os devedores são na sua esmagadora maioria da administração local e central".
"Dado que um dos argumentos que o governo tem utilizado é o da alegada insustentabilidade do Grupo, cumpre apurar a que se deve a actual situação financeira das empresas da holding estatal", defendem os deputados.
APDA entrega Tubos de Ouro
02 de Dezembro de 2011
Na quinta edição dos “Prémios Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas (APDA)– Tubos de Ouro” foram galardoadas três entidades gestoras, tendo sido também entregue uma menção honrosa. Os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Oeiras e Amadora arrecadaram dois prémios, ao vencer nas categorias de “Melhor sítio na internet” e “Melhor informação sobre qualidade da água”.
A Águas do Douro e Paiva venceu a categoria de“Melhores acções de educação ambiental”, que teve também uma menção honrosa entregue à Águas do Algarve.
Opções políticas sobre sector da água devem ser clarificadas
02 de Dezembro de 2011
Opções políticas sobre sector da água devem ser clarificadas de forma urgente
O presidente da Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Água considerou nesta quinta-feira urgente que o Governo clarifique as suas opções políticas para o sector da água, que precisa de ser reestruturado e reorganizado.
Ideias defendidas por Rui Godinho, após o final do Encontro Nacional de Entidades Gestoras de Água e Saneamento, que terminou hoje no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), em Santarém.
“É preciso clarificar o quadro do sector, pois neste momento sente-se uma indefinição política que urge ser resolvida através das decisões do Governo e da Assembleia da República”, defendeu, o responsável, em declarações à Agência Lusa.
Rui Godinho fez um balanço “muito positivo” dos três dias de debate e salientou que “é urgente que haja decisões políticas, técnicas, económicas e financeiras, no sentido de formatar aquilo que venha a ser a estratégia para o sector da água nos próximos anos”.
Nesse contexto, o presidente da APDA questionou “quais os atores e que papéis irão desempenhar no presente e no futuro do sector”, nomeadamente Estado, municípios, sector público e privado e empresas.
“Deve-se avançar para a reestruturação e reorganização do sector da água, garantir a sustentabilidade económica e financeira, prestando serviços de alta qualidade, em abastecimento de água e de saneamento de águas residuais a toda a população portuguesa”, destacou Rui Godinho.
Sobre o futuro da Águas de Portugal, o responsável prefere aguardar pelas decisões governamentais para emitir uma posição.
“Neste momento a APDA não tem capacidade para dar uma resposta. Não sabemos se vai haver privatização. A haver, qual o modelo? O que é que se vai privatizar? Em que condições? E principalmente, com que objectivo?”, interrogou Rui Godinho.
A questão da sustentabilidade económica e financeira das entidades gestoras, públicas, privadas, municipais ou intermunicipais, é também um dos problemas que preocupa o sector.
No entender de Rui Godinho, são vários os desafios que as entidades gestoras enfrentam no que respeita ao aumento da sua eficiência, “que se repercute na aplicação de medidas tendentes a garantir o uso eficiente da água”, como, por exemplo, “no controlo de perdas”.
O presidente da APDA, afirmou ainda que “existe uma grande dispersão tarifária no País”, sendo, em geral, “uma relação de 1 para 12” a que existe entre as tarifas praticadas no abastecimento de água.
“É necessário introduzir mecanismos de harmonização, de maneira a que aquelas tarifas que estão sobreavaliadas e aquelas que estão subdimensionadas se aproximem de um ponto de convergência, com uma tarifa justa, real e adequada”, defendeu Rui Godinho, salientando que este “ainda é um caminho longo”.
Rui Godinho defendeu também a “fusão” de sistemas para ganharem escala.
“Fundir sistemas sustentáveis com outros que não o são, para haver compensações, de maneira a que se aproximem os preços e os sistemas resultantes sejam efectivamente sustentáveis e garantam a qualidade do serviço às populações”, disse Rui Godinho.
Concessões de resíduos com lucro de 11 milhões em 2010
02 de Dezembro de 2011
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As concessões multimunicipais de serviços de resíduos registaram um lucro de 11 milhões de euros em 2010, menos 0,8 milhões de euros do que em 2009, segundo o Relatório Anual do Sector de Águas e Resíduos em Portugal (RASARP) 2010, publicado pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (/ERSAR). Ainda assim, o documento explica que estas entidades têm obtido resultados «superiores aos projectados nos contratos de concessão, acumulando reservas que permitem atingir níveis de capitalização apreciáveis». |
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O volume de negócios destas entidades em baixa atingiu cerca de 170 milhões de euros, verificando-se um acréscimo de 3,0 por cento face a 2009. No entanto este crescimento é significativamente inferior à taxa média de crescimento anual que se observou entre 2002 e 2009, que foi de 8,6 por cento.
Na vertente em alta o negócio foi mais profícuo, com um volume de negócios de cerca de 260 milhões de euros, no ano passado, sendo que 68 por cento dos resíduos são geridos por entidades gestoras de sistemas multimunicipais, ou seja, por empresas de capital maioritariamente estatal através da Empresa Geral de Fomento. Já as empresas municipais e intermunicipais, e as associações de municípios realizaram 48 e 42 milhões de euros de volume de negócios, respectivamente.
No ano em análise, o relatório mostra que a média das tarifas aprovadas para as concessões multimunicipais de serviços de resíduos aumentou 1,2 por cento comparativamente com o ano anterior, evidenciando uma variação inferior à taxa média anual de crescimento de 2002 a 2009, cifrada em 3,4 por cento. É que, de acordo com a entidade regulador, «as tarifas aprovadas para as concessionárias de serviços de resíduos encontram-se estacionárias na medida em que a situação económico-financeira das respectivas entidades gestoras se afigura confortável».
No ano em que foram produzidos 5499 milhares de toneladas de resíduos urbanos em Portugal, o investimento acumulado pelas concessões multimunicipais de serviços de resíduos atinge os 989 milhões de euros, representando um crescimento de 21,6 por cento face a 2009, neste caso superior ao crescimento histórico de 6,9 por cento.
Medidas para reduzir consumo de energia e água
02 de Dezembro de 2011
Mais de metade das unidades com medidas para reduzir consumo de energia e água
Mais de metade dos empreendimentos turísticos portugueses adotou, no ano passado, medidas para reduzir o consumo de energia e água e para gerir os resíduos de forma eficiente, revela um estudo do Turismo de Portugal hoje divulgado.
Segundo o estudo, que teve por base um inquérito sobre as boas práticas ambientais junto de mais de mil empreendimentos turísticos, são as unidades de quatro e cinco estrelas instaladas sobretudo na região de Lisboa que lideram esta transformação ao nível da energia, água e resíduos.
O inquérito, a que agência Lusa teve acesso, indica também que a área da energia é aquela que denota maior sensibilização dos empresários para a aplicação de boas práticas.
ENEG 2011 continua a debater o sector
02 de Dezembro de 2011
Prosseguiu hoje em Santarém o Encontro Nacional de Entidades Gestoras de Água e Saneamento – ENEG 2011, uma organização da Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas (APDA).
Do programa desta quarta-feira, o destaque foi para as Mesas Redondas, “Modelos de Gestão dos Serviços de Água” e “Política e Políticas para o Sector das Águas”.
Da parte da manhã foram analisados e debatidos os modelos de gestão actualmente em prática em Portugal. Moderada por João Simão Pires (Universidade Católica), foram oradores João Bau (antigo Presidente do Conselho Directivo da APDA), José Teixeira (Aquapor), Marcelo Nuno (Águas de Coimbra), Sandra Santos (Águas de Portugal) e Sofia Martins (Câmara Municipal do Barreiro).
De tarde, num dos mais aguardados momentos do ENEG 2011, na Mesa Redonda “Política e Políticas para o Sector das Águas”, foram discutidas as visões para o sector dos partidos com assento parlamentar. Estiveram representados cinco dos seis Grupos Parlamentares: Altino Bessa (CDS-PP), António Leitão Amaro (PSD), Francisco Madeira Lopes (PEV), Renato Sampaio (PS) e Ricardo Moreira (BE). A moderação esteve a cargo do jornalista Nicolau Santos, director-adjunto do semanário Expresso.
Na parte lúdica, releve-se a realização do Campeonato de Montagem de Ramais em Carga – Pipe Contest 2011.
Novo modelo de gestão da água para breve
02 de Dezembro de 2011
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Um novo modelo de gestão da água, assente numa gestão privada com uma forte regulação, será anunciado até o início de 2012 segundo Assunção Cristas, Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território. "Um modelo justo que deverá ter em conta o litoral e o interior", palavras proferidas pela ministra hoje no Encontro Nacional das Entidades Gestoras de Água, a decorrer em Santarém. |
A pouca experiência nacional e os exemplos internacionais levam a crer que a entrega da gestão da água a privados será positiva, desde que os contratos de concessão permitam o cumprimento das metas de qualidade e da garantia de abastecimento da água como um direito humano. "Uma entidade reguladora capaz e exigente assegurará o correcto funcionamento do modelo de gestão", garante Assunção Cristas.
Para que o modelo funcione será necessário apelar ao uso eficiente da água e ao pagamento justo pelo seu consumo. Segundo estudo apontado pela ministra os portugueses pagam pela água que consomem 1/4 do que gastam em energia e 1/3 do que gastam em telecomunicações e esta lógica estende-se a todas as classes sócio-económicas.
Portugal tem a agravante da sua vulnerabilidade geográfica às alterações climáticas e os seus impactes na disponibilidade e na qualidade da água.
A consagração da água como um direito humano pelas Nações Unidas, obriga à equidade no seu acesso, com qualidade, por toda a população, mas implica também o pagamento do justo valor deste recurso. A continua adaptação dos sistemas tarifários e a aplicação de instrumentos sociais é certa.
Ministra do Ambiente na sessão de abertura do ENEG 2011
02 de Dezembro de 2011
"Quanto às alterações profundas no sector, o ano crítico será 2012”. Palavras proferidas pela Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, Assunção Cristas, durante a Sessão de Abertura do Encontro Nacional de Entidades Gestoras de Água e Saneamento – ENEG 2011, que teve lugar hoje de manhã no Centro Nacional de Exposições, em Santarém.
Na ocasião, a responsável governamental pela pasta do Ambiente, salientou que “existe um consenso bastante alargado quanto à necessidade de reestruturar o sector da água”, que, decerto, implicará “concentrações” no sector, através de integrações verticais e horizontais e na vantagem de “economias de escala e de gama e racionalização de processos”. Referiu ainda que “um abastecimento de água mais equitativo e financeiramente mais sustentável” está no centro das preocupações do Governo e que urge encontrar “mecanismos que reflictam o valor da água”, referindo a necessidade de adopção de “estratégias de solidariedade”. Salientou a importância de tornar a ERSAR numa entidade “mais forte, independente e autónoma” e que “não há fantasmas” quanto a uma maior presença de operadores privados no sector. A Ministra terminou dizendo que “é possível e desejável que Portugal continue no caminho de cumprimento do Direito Humano à Água e ao Saneamento”. Mencionou ainda a importância do desafio do uso eficiente da água, um tema “que tem que sair da prateleira”.
Na sua intervenção, o Eng.º Rui Godinho, Presidente do Conselho Directivo da APDA, referiu que “caminhar com segurança para sólidos patamares de sustentabilidade implica que não se retroceda no essencial quanto ao que nos conduziu aos elevados níveis de atendimento em Abastecimento de Água e Saneamento de Águas Residuais, como obriga à tomada de novas medidas que, corrigindo erros cometidos e insuficiências diagnosticadas, garantam a continuação e consolidação dos indiscutíveis progressos já alcançados”. Continuou dizendo que “as respostas para uma estratégia consistente de reestruturação destes serviços públicos essenciais contemplam, portanto, a necessidade de uma abordagem informada e politicamente esclarecida face à situação do Sector, e decisões claras, articuladas e coerentes – e não casuísticas – sobre estes Novos Desafios para os Serviços de Águas em Portugal”.
Na mesma Sessão, o Presidente da Comissão Organizadora do ENEG, Ascenso Pires, sublinhou que acredita ao longo do evento “se analisem e debatam os novos desafios para este sector e que as conclusões deste Encontro possam contribuir para a sustentabilidade destes Serviços, que são determinantes para um desenvolvimento sustentável do nosso País e para a qualidade de vida da nossa população”.
Catarina de Albuquerque, Relatora Especial das Nações Unidas para o Direito Humano à Água e ao Saneamento, disse que em muitos países e regiões do mundo, em particular no Senegal (de onde regressara), “os mais pobres pagam mais pela água”. Abordou o mandato especial que que lhe foi conferido pela ONU, desde 2008, em questões de água e saneamento. Abordou o conteúdo normativo desse Direito – designadamente aspectos de disponibilidade, qualidade, aceitabilidade, acessibilidade física e acessibilidade financeira – bem como os respectivos princípios transversais: não-discriminação, participação, responsabilização, impacto e sustentabilidade. Referiu ainda que está em preparação um livro com o envolvimento da ERSAR – para apresentar no 6.º Fórum Mundial da Água, a realizar em Marselha, em Março de 2012 – sobre “boas práticas” do sector em Portugal.
Organizado bienalmente pela APDA, o ENEG há muito se constituiu como uma referência obrigatória para todos os que se movimentam no sector das águas em Portugal, sejam entidades gestoras, prestadores de serviços e outras instituições que operem neste domínio.
O ENEG 2011, que tem como tema geral os “Novos Desafios para os Serviços de Águas”, prolonga-se até quinta-feira, 24.
Ministra do Ambiente
02 de Dezembro de 2011
Ministra do Ambiente defendeu hoje que a água para consumo humano deve ter o preço ajustado ao seu custo, mas não pormenorizou como deve ser feita a atualização do preço.
Ministra do Ambiente quer preço da água ajustado ao seu custo
Assunção Cristas, que falava na Comissão Parlamentar do Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local, afastou a possibilidade da privatização da empresa Águas de Portugal (ADP) mas não da gestão dos recursos hídricos.
`O bem é público, a gestão é que não tem que ser pública`, disse a governante, para quem `uma coisa é a propriedade, outra a prestação do serviço`.
Câmaras devem 460 milhões de euros
02 de Dezembro de 2011
O secretário de Estado da Administração Local, Paulo Simões Júlio, diz que o Estado deve cerca de 69 milhões de euros aos municípios mas que estes devem ao Estado mais de 460 milhões. Parte substancial desta dívida dos municípios diz respeito ao fornecimento de água: são 380 milhões que ainda têm de pagar à Águas de Portugal (AdP).
Depois da guerra dos números entre o ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, e o presidente da Associação Nacional dos Municípios, Fernando Ruas, Simões Júlio veio dizer ontem à Lusa que a dívida do Estado aos municípios era de facto, como dizia o autarca, de 102 milhões de euros. Mas adiantou que entretanto já tinham sido pagos 33 milhões - e que o `o diferencial que resta é 69 milhões de euros`.
Dos 460 milhões que os municípios devem ao Estado, `382 milhões de euros são dívidas às AdP, 77 milhões são dívidas à ADSE e aproximadamente 2,5 milhões de euros são dívidas à Caixa Geral de Aposentações`. O CM teve acesso a um documento oficial do Governo onde se indica que os municípios têm já 288 milhões em `dívida vencida` às Águas de Portugal.
UE: Lei vai exigir detergentes mais amigos do ambiente
02 de Dezembro de 2011

A União Europeia prepara-se para publicar uma lei que proíbe o uso de fósforo nos detergentes para lavar a louça. A medida tem por objetivo torná-los menos agressivos para o ambiente, impedindo a formação de algas na água.
A decisão surge algum tempo depois de a Comissão Europeia ter imposto a mesma restrição, mas só nos detergentes usados na lavagem da roupa. "A notícia de de que os estados membros aceitaram estender a restrição do fósforo aos detergentes da louça é um triunfo", disse Bill Newton Dunn, membro do partido liberal MEP do Reino Unido, notícia o site EurActiv.
Durante uma reunião do Comité dos Representantes Permanentes da União Europeia (UE) – órgão que presta assistência ao Conselho Europeu - foi dada luz verde à nova lei. O objetivo é reduzir os níveis de compostos de fósforo encontrados nas águas residuais, responsáveis pela "eutrofização", ou seja, formação de algas verdes e azuis que provocam a morte de peixes em lagos e ribeiras.
Para impor esta medida, a UE ameaça cobrar sanções sobre os estados não cumpridores. "Acreditamos que esta é uma forma simples, eficaz e com um custo-eficiente para fazer com que os detergentes que são usados todos os dias nos lares da UE sejam mais amigos do ambiente", explicou o Bill Newton Dunn.
A lei vai ser agora votada pelo Parlamento Europeu nos próximos dias 13-15 de Dezembro.
ERSAR deixa de ser tutelada pelo Governo
02 de Dezembro de 2011
A Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR) vai ter mudanças de estatuto «nos próximos dias», passando a funcionar como entidade independente. O processo para esta alteração orgânica vai arrancar muito em breve, segundo a ministra do Ambiente, Assunção Cristas, que esteve hoje na Assembleia da República para debater o Orçamento de Estado 2012 na especialidade. A ERSAR será a primeira entidade reguladora a avançar com esta mudança de estatuto, prevista no memorando da Troika.
Sobre o futuro da Águas de Portugal, Assunção Cristas afirmou que a holding não será privatizada, defendendo um modelo de concessões das várias entidades que a compõem. O processo só será concretizado em 2013, adiantou ainda a ministra. «Não penso que haja necessidade de ir para um sistema de privatização da holding. Um modelo de concessões seria perfeitamente fiável», frisou.
Australiano extrai água do ar
02 de Dezembro de 2011
| Um jovem australiano desenvolveu uma tecnologia que consegue aproveitar água a partir do ar. O sistema de irrigação Airdrop tira proveito do efeito de condensação e consegue produzir água em qualquer ambiente, até mesmo no deserto. | ![]() |
Os ambientes secos foram precisamente a inspiração de Edward Linacre que recebeu o Prémio James Dyson Award com a sua invenção. Preocupado com a seca que se vive na Austrália, o estudante de 27 anos da Swinburne University of Technology in Melbourne virou-se para a natureza e concretizou um sistema que consegue extrair e acumular a humidade do ar.
O Airdrop é constituído por uma turbina que absorve o ar e o conduz até ao solo, onde atinge uma temperatura muito fria. Aí o ar alcança os 100% de humidade, transformando-se em água. Essa água é então armazenada num tanque subterrâneo e bombeada até ás raízes das culturas, num sistema de gota a gota.
O Airdrop possui ainda um LCD que mostra os níveis de água armazenados, a pressão, a duração da bateria solar e a saúde do sistema, lê-se no site dos James Dyson Awards.
Linacre explicou ao Daily Mail que mesmo no deserto o processo é possível, já que, nessas regiões, em cada metro cúbico de ar existem 11,5 milímetros de água. De facto, o sistema é especialmente concebido para ambientes de seca extrema, como uma forma de ajudar os agricultores.
Esta não foi a primeira vez que se transformou o ar em água, através de um processo de condensação, mas Linacre acredita que o seu sistema supera os anteriores. "Outros sistemas requerem grandes quantidades de energia, graças à forma de funcionamento das unidades de refrigeração. O Airdrop usa simplesmente a diferença de temperatura entre o ar e o frio da terra abaixo da superfície".
O que esta tecnologia mostra é a possibilidade de aproveitar princípios tão simples como a condensação da água para efeitos tão positivos.
Casca de banana capaz de despoluir águas
02 de Dezembro de 2011

A casca de banana é capaz de despoluir águas contaminadas por metais pesados. A descoberta foi feita por uma química brasileira, especialista no tratamento de águas residuais, que assegura que a utilização da casca de banana não só evita o desperdício de alimentos, como é uma opção viável e barata para a indústria.
Milena Boniolo, que dedicou a sua tese de mestrado a este assunto, disse ao Planeta Sustentável como se processa a descontaminação. "A banana deverá ser exposta ao sol por alguns dias e, em seguida, triturada e peneirada. O pó obtido é colocado na água e vai atrair para si os metais pesados", explicou.
De acordo com a investigadora paulista, esta capacidade da casca de banana de atrair os metais deve-se a algo que já faz parte do senso comum: a noção de que os opostos se atraem. Isto é, uma vez que a casca deste fruto "possui moléculas de carga negativa", elas vão atrair para si substâncias com carga positiva, como os metais pesados.
Apenas 5 mg de pó de banana são suficientes para despoluir 100 ml de água, embora seja necessário repetir o processo para conseguir uma limpeza total. Os testes feitos em laboratório pela pesquisadora mostraram que, se o procedimento for posto em prática uma única vez, a casca de banana apenas absorverá cerca de 65% dos elementos poluentes.
Os estudos de Milena Boniolo focaram-se no urânio, mas a casca de banana tem também potencialidade para atrair outros metais prejudiciais à saúde humana e ao ambiente como o níquel, o chumbo e o cádmio. Além disso, poderá ser reutilizada várias vezes.
O objetivo não é "tratar a água para deixá-la boa para consumo, mas sim ajudar as indústrias a descontaminar o recurso que poluem, antes de devolvê-lo ao meio ambiente, a partir de uma alternativa de baixo custo, conforme destacou a investigadora à publicação brasileira.
Até ao momento, a técnica de Boniolo ainda não foi aplicada fora do laboratório. Segundo a especialista, "o que falta para aplicá-la em grande escala é uma empresa nova disposta a implantar o processo, que dura cerca de dois anos, do início", acrescentando que todas as indústrias que a procuraram "já poluem a água e, portanto, começar por elas é inviável, dado que são casos extremos e urgentes".
Inag: «Monitorização não está a ser feita como gostaríamos»
02 de Dezembro de 2011
Fernanda Gomes, Chefe de Divisão de Planeamento do Instituto da Água fala dos problemas de monitorização
Fernanda Gomes, Chefe de Divisão de Planeamento do Instituto da Água sublinha que a monitorização do cumprimento da Directiva-Quadro da Água não está a ser feita como era desejável, devido a cortes orçamentais. É agora tempo de recolher informação junto das Administrações de Região Hidrográfica (ARH).
A restrição orçamental está a afectar a monitorização necessária ao cumprimento da Directiva Quadro da Água?
A monitorização não está ser feita como gostaríamos, devido a restrições orçamentais. Porque a monitorização é muito cara e para cumprir as exigências da Directiva Quadro da Água, no que respeita aos planos de bacia, seria preciso muito dinheiro. O investimento necessário para a monitorizar a água, de acordo com as exigências que dão cumprimento às directrizes europeias foram objecto de um levantamento nacional em 2007. Mas o elevado valor indicado não foi aprovado – por dificuldades financeiras – sendo que cada Administração Regional Hidrográfica (ARH) ficou cada uma por si.
O que está ser feito então?
Não sabemos exactamente. Agora é que vamos indagar junto de cada ARH o que realmente fizeram, para podermos avaliar a dimensão desta questão. Nestes casos, o que se faz é: analisa-se uma vez e depois fazem-se modelações e extrapolações.
Isto quer dizer que poderemos estar em incumprimento ou que o cenário traçado sobre as massas de água não está correcto...
Não sabemos, mas penso que nenhum país estará a fazer a monitorização ideal, julgo que seria muito difícil.
Maior barreira do mundo contra cheias é holandesa
02 de Dezembro de 2011
| Maeslant é a estrutura mais imponente nos trabalhos do Delta e a maior barreira amovível contra cheias do mundo. Custou 650 milhões de euros, é do tamanho da torre Eiffel, mas está deitada, ao longo do rio, com as portas abertas – cada uma com 210 metros - , para permitir a passagem dos navios no movimentado porto de Roterdão. | ![]() |
Em caso de cheias, a barreira é capaz de fazer descer 1,6 metros o nível das águas em Roterdão e 0,6 metros em Dordrecht, eliminando a necessidade de subir os diques nas cidades. O porto de Roterdão continua a ser acessível ao tráfego marítimo.
Mas este não é um projecto isolado. A acompanhar esta autêntica porta gigante, há ainda o sistema de defesa Europoort e a subida da altura dos diques.
Em época de cheias, a monitorização é feita de 10 em 10 minutos, sendo que a barreira demora cerca de 2h30 a fechar. Para aliviar a pressão da água, há um espaço de oito centímetros entre as portas, como medida de segurança. E as comportas podem flutuar, fazendo com que a água passe por debaixo da barreira e vá desaguar no mar.
Os especialistas estimam que seja necessário fechar as comportas de cinco em cinco anos, devido à previsível subida no nível dos oceanos.
Holanda quer dar espaço aos rios
02 de Dezembro de 2011
| Com o objectivo de assegurar a protecção de quatro milhões de residentes contra eventuais cheias do Reno, a Holanda decidiu implementar o programa nacional Room for the River (Dar espaço ao rio). O projecto, que começou em 2007, envolve 30 municípios, cinco províncias e dois ministérios. | ![]() |
As cheias de 1995 e os prejuízos humanos e materais que daí resultaram, a subida do nível do mar, e os períodos de chuva mais intensos e frequentes foram os grandes motivos para levar avante medidas que passam por dar espaço ao rio, inundando algumas áreas – e realojando agricultores e habitações - , para aumentar a segurança nas restantes. Reposicionar os diques, aumentando a sua altura, em alguns casos, é outro dos exemplos das intervenções que estão a ser feitas. As autoridades acreditam que estas medidas irão reduzir em 30 centímetros o nível da água nos afluentes do Reno.
As intervenções – que terminarão em 2015, estão a ser desenvolvidas em mais de 30 locais , com um investimento total de 2,3 mil milhões de euros. A capacidade de descarga será de 16 mil m3/segundo , deixando a zona livre de qualquer cheia.
Sérvia e China inspiram-se no setor português
02 de Dezembro de 2011

A Sérvia e a China estão interessadas na experiência portuguesa na área da água. Responsáveis chineses já visitaram Portugal através da Parceria Portuguesa para a Água, uma entidade que pretende desenvolver ações em mais países para internacionalizar o setor.
Em Outubro, uma missão empresarial da PPA deslocou-se à Sérvia e "muito provavelmente haverá uma visita de entidades sérvias em março a Portugal e já recebemos duas delegações chinesas", disse à Lusa, Francisco Nunes Correia, o presidente da Parceria Portuguesa para a Água.
No encontro da Sérvia, de acordo com o site oficial, participaram as seguintes empresas: Águas de Portugal, Cenor, Consulgal, F9 Consulting, Lena Ambiente, Moínhos Ambiente e Parque Expo.
Este intercâmbio tem como objetivo divulgar o trabalho realizado em Portugal pelas empresas e universidades no setor da água nos últimos anos, em países africanos de língua portuguesa, no Magrebe e no centro e leste europeu.




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